Precificação dinâmica: preços mudam a cada segundo

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Por Fernanda Vasconcelos - redacao@savarejo.com.br -

Essa estratégia já é praticada em outros segmentos e no varejo global e, com o suporte de etiquetas inteligentes, pode elevar o lucro das empresas

Imagine poder ajustar, em tempo real, o preço praticado conforme a procura do produto, o estoque da loja e a concorrência local. Os chamados preços dinâmicos já são comuns em aplicativos de transporte, como o Uber, e agora estão ampliando sua presença também no varejo. A Amazon troca os preços dos seus produtos inúmeras vezes ao dia em seu e-commerce, segundo o livro best-seller “Swipe to Unlock: The Primer on Technology and Business Strategy”, de Neel Mehta, Parth Detroja e Aditya Agashe.

A chinesa Hema, de propriedade de Jack Ma, fundador do Alibaba, faz mais de três mudanças diariamente em cerca de 3 mil itens nas lojas físicas e 50 mil no site. Mas, além da tecnologia disponível para definição de preços praticados em tempo real, é preciso contar com etiquetas eletrônicas para atualizar automaticamente os valores nas gôndolas. Segundo Frederico Marquezini, vice-presidente da consultoria Cosin Consulting, esses dispositivos complementam a execução da estratégia de pricing definida pela rede. Ele ressalta a importância de se fazer um teste em uma categoria para medir o resultado.

“No modelo mais completo de utilização das etiquetas eletrônicas, o varejista pode buscar os dados de cada consumidor no CRM e alterar o preço na gôndola para cada um a cada hora”, explica Marquezini. Isso é possível porque o sistema identifica o celular do cliente por meio de QR Code. Outra maneira é solicitar que o cliente se identifique em totens ou equipamentos semelhantes ( clique aqui e conheça redes que adotaram soluções tecnológicas de precificação ).

Também é possível definir algoritmos e criar padrões de preços para cada momento do dia. Por exemplo, se há mais demanda na hora do almoço para sucos e chocolates, esses preços sobem automaticamente nesse momento do dia. No fim de semana, pode-se elevar o preço das cervejas em algumas lojas e em outras, não, dependendo do clima. É possível ainda oferecer desconto de 10% em um queijo para pessoas que costumam comprar determinado vinho. Tudo isso maximiza resultados e eleva as margens.

Mas a presença de etiquetas que permitem ao varejo alterar com velocidade os preços nessas situações ainda é incipiente no Brasil. A Seal instalou nos últimos cinco anos 1,5 milhão de etiquetas em todo o País, sobretudo no Norte, Nordeste e Sul. Wagner Bernardes, CEO da Seal Sistemas, lembra que o varejo brasileiro conta com mais de mil redes e milhares de lojas. “As grandes estão se preparando para usar todo esse sistema, mas enfrentam uma complexidade pelo seu tamanho, políticas de preços diferentes para cada região ou cidades e sistemas já instalados mais robustos, que exigem grande adaptação”, conclui o executivo.

Custo

Já existem sistemas disponíveis no Brasil ao preço inicial de R$ 100 mil, incluindo 3 mil etiquetas e um software de gestão. E é até possível encontrar etiquetas usadas na internet por R$ 15 cada, para quem já tem um sistema de pricing. Porém, as melhores e mais potentes soluções passam de R$ 15 milhões. Nesse caso, integram qualquer tipo de software de gestão das empresas, inclusive os usados pelas grandes redes que têm centenas de lojas.

Melhora na experiência

A leitura de QR Code, disponível nas etiquetas de tamanho maior, também pode melhorar a experiência de compra e elevar as vendas. Na China, é comum que esses dispositivos tragam várias informações sobre o produto e até ofereçam receitas ou instruções de como utilizá-lo. É possível indicar outras lojas da rede que tenham aquele item e agregar comentários de outros consumidores. “Não é tão complicado quanto parece. Para o gestor, um módulo no ERP do supermercado gerencia todas as questões”, conta Bernardes, CEO da Seal Sistemas.

Qualidade da informação

O Grupo Arasuper, da Região Norte do País, adotou 5.800 etiquetas eletrônicas em novembro de 2017 para melhorar a experiência de compras de seus clientes. “As etiquetas de papel passavam um aspecto de desgaste e não eram atrativas para o consumidor”, diz Wendel Barros Marino, gerente de TI do grupo. Outro benefício foi a qualidade de informação para o cliente. “Em uma operação de atacarejo, com três opções de preços, as informações não eram claras e recebíamos reclamações de clientes que não conseguiam identificar preços nas gôndolas, diz o gerente.

Velocidade na Gôndola
Etiquetas inteligentes complementam a estratégia de preços dinâmicos, permitindo alterar os valores frequentemente conforme mudanças na demanda (clima, hora do dia, etc.)

3 vezes ao dia É quanto a chinesa Hema altera preços de cerca de 3 mil itens em suas lojas físicas

8 segundos É o tempo que demora para mudar o preço na prateleira, utilizando etiquetas inteligentes integradas ao ERP

25% crescimento do lucro da Amazon com a precificação dinâmica a partir da demanda e do estoque

1,5 milhão É a quantidade de etiquetas implantadas pela Seal no Brasil

90% dos usuários São empresas de supermercados

35% expectativa de crescimento da Seal para este ano, impulsionado pelas etiquetas eletrônicas

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