Barack Obama: “Educação é uma necessidade econômica”

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Por Alessandra Morita - alessandra.morita@savarejo.com.br -

SA Varejo esteve entre os veículos de comunicação credenciados para acompanhar palestra do ex-presidente dos EUA. Um dos assuntos abordados foi a metodologia de Obama para tomar decisões

“Quanto mais você investe no capital humano, mais rápido você cresce. A inteligência artificial está aí e vai fazer muitos dos trabalhos repetitivos. Mas as pessoas podem pensar de forma criativa, trabalhar em equipe e ser inovadoras”

Ser presidente de um país tem complexidades muito específicas, mas, dadas as devidas proporções, diversos desafios são parecidos com os enfrentados por uma empresa. Foi essa a sensação de empresários e gestores que formaram a maioria das 10 mil pessoas presentes no São Paulo Expo, na zona sul da capital paulista, para assistir ao ex-presidente dos EUA Barack Obama. Aos 57 anos, ele abriu o Vtex Day 2019, evento que aconteceu nos dias 30 e 31 de maio e atraiu pessoas de todo o Brasil e de outros países da América Latina. Obama, que foi o 44º presidente norte-americano, agradou pela simpatia, mas também pela sua visão do que é necessário para o desenvolvimento mundial, o que passa por um ambiente favorável aos negócios e uma economia forte. Confira a seguir os principais trechos da sua participação no evento.

Empresas bem-sucedidas e educação

“A educação permite desenvolver o pensamento crítico, por isso é preciso criar oportunidades. Muitas pessoas acreditam que ajudar uma criança, dar educação a ela, é um serviço social. Isso não é caridade, é necessidade econômica. No mundo, há países com alto padrão, mas que contam com poucos recursos. É o caso de Singapura, um país pequeno, onde 100% da população é alfabetizada, e que tem uma das maiores taxas de crescimento do mundo. Ao dar uma oportunidade às crianças mais pobres, estamos contribuindo para um mercado mais rico e para empresas mais bem-sucedidas. Mas precisamos fazer escolhas. Na Finlândia, um professor ganha o mesmo que um médico. E é muito mais difícil ser professor lá, porque é preciso muito treinamento e capacitação, já que nas mãos dele está o futuro do país. Nos EUA, um professor ganha 1/10 do que um investidor no mercado financeiro. Por quê? A maioria dos professores eram mulheres e muitas pessoas tiraram proveito disso para pagar menos.”

Desenvolvimento tecnológico e talento

“Há locais, como o Vale do Silício, que desenvolveram um ecossistema amplo – com universidades, empresas, etc. –, o que cria uma frente de desenvolvimento de ideias. Mas as ideias não são ‘geografia’. Elas viajam mais rápido do que as pessoas podem se movimentar. Embora a inovação seja tradição no Vale do Silício, o Alibaba tem avançado mais rapidamente nessa área de inovação. O Jack Ma (fundador da empresa) entendeu como ajudar pequenos negócios do varejo a vender mais na China. Há 30 anos, quando ele começou, não existia essa tradição de inovação no país. Se você tem acesso a computador e outras tecnologias, pode fazer parte dessa revolução. Mas a chave para o sucesso é o talento. A China criou um programa de educação que produz milhares de engenheiros e matemáticos todos os anos. Por isso, a inovação avança. Mas, para o mercado e as empresas crescerem, é preciso um setor público que crie condições de mercado com proteção intelectual para incentivar a criação. Na China, não havia esse incentivo, foi difícil.”

Papel do governo e das empresas

“Temos uma divisão no mundo entre pessoas de esquerda e direita. E também há aquelas pessoas que acreditam cegamente no mercado. Mas não existe um ambiente propício ao crescimento se não houver um governo que garanta boa educação, boas leis, boa governança, boa base de impostos e infraestrutura. Tudo isso impulsiona os negócios. Eu sempre falo, mas nem sempre me ouvem, que os empresários deveriam ficar felizes por pagar impostos. Esse é o seu investimento na sociedade, na sua empresa. Só assim ele consegue fazer bons negócios. As empresas são obcecadas pelo market share, por quanto se ganha,mas esquecem que precisam colaborar para que os governos garantam as condições para seu sucesso.”

Desigualdade e oportunidade

“O Brasil, assim como os EUA, foi fundado com base na desigualdade. Apesar da Constituição nos EUA, as mulheres e negros e os que não tinham propriedade eram excluídos. Mas quanto mais conseguimos incluir pessoas, mais sucesso tivemos em nosso país. Sou fã de basquete e hoje a NBA é muito melhor porque tem jogadores de diversos países e origem atuando na liga. No passado, o Brasil teve um dos melhores jogadores do mundo, o Oscar Schmidt, mas nunca jogou na NBA. Hoje, há vários brasileiros. Se os descendentes de africanos não forem incluídos, você estará deixando talentos para trás. Se as mulheres não forem incluídas, você estará deixando talentos para trás. Sabe por que eu sempre tinha mulheres nas reuniões de trabalho? Se tivesse apenas homens, veríamos as coisas do mesmo jeito. É difícil mudar, porque há gerações de pobreza acumulada e não se sabe por onde começar. Nunca vamos ter igualdade completa. Alguns vão ter mais talento do que outros e ter naturalmente sucesso, mas estamos falando de dar oportunidade para quem vem de trás.”

Dinheiro, felicidade e poder

“Uma coisa boa de ser presidente é que falamos com todos os tipos de pessoas, ricos ou pobres. E o que sempre digo para minhas filhas é que, quando uma pessoa atinge um nível de segurança financeira – conseguindo comprar sua casa, pagar a escola dos seus filhos, sair em férias –, ela não será mais feliz tendo mais do que isso. Hoje, eu tenho muito mais dinheiro do que antes, e o que me deixa feliz é sentar com as minhas filhas, conversar com elas. Temos dificuldade em aceitar uma sociedade mais igualitária, mas uma pessoa muito rica não consegue gastar mais. A quantidade de dinheiro é a nossa medida de status. Se você conseguir que mais 10 crianças tenham oportunidades, isso é poder. Acredito em valores, capital e eficiência produzindo mais. Mas precisamos de um sistema que não destrua valores, que garanta que todos sejam parte dele. Isso tem de vir dos líderes, sejam religiosos, políticos, do setor produtivo. Precisamos ser responsáveis pela próxima geração como não fomos até agora.”

Equipe que constrói

“Nunca me senti sobrecarregado por ser presidente. Aprendi que você não faz nada sozinho, que é preciso ter uma equipe que constrói. Você não pode ter medo de ter pessoas mais inteligentes do que você na sala. Fui um bom líder porque fazia as perguntas certas, mas as pessoas tinham as respostas corretas. Não dá para ser especialista em tudo. No nosso time todos tinham perspectivas e todos puderam testar suas teorias.”

Método para tomar decisões

“Quando se é presidente, o que levam para você são os problemas mais difíceis de serem resolvidos, para os quais não se encontrou uma saída satisfatória. Por isso, criei uma metodologia para tomar decisões. Ouvia todas as discussões e analisava todas as possibilidades. Para cada uma avaliava qual a probabilidade de ela estar certa ou errada. Eu podia chegar à conclusão, por exemplo, de que aquela decisão tinha uma chance de 55% de ser assertiva e 45% de estar equivocada. A ideia não era ter certeza de que tomaria a decisão correta, mas de que estaria optando pela melhor decisão naquele caso. Não é sempre que você vai estar certo, mas, na média, terá tomado as melhores decisões possíveis.”

“Após sair da presidência, optei por fazer algo que tivesse grande impacto: treinar a próxima geração de líderes, encorajando e dando poder aos jovens. Quando estive no Rio de Janeiro, ainda era presidente, joguei bola com crianças na favela que se pareciam comigo na infância. A diferença é que eu tive oportunidades”

 

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