Varejistas iniciam trabalho para mudar o modelo de segurança no setor

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Reportagem SA Varejo -

Comitê criado pela Abrappe e liderado pelo Carrefour divulgará no início de dezembro primeiras conclusões de discussões que começaram há 1,5 mês

Foto: Divulgação

Gestão de conflito e de incidentes, fluxo de mercadorias e relações com autoridades são alguns pontos tratados no último 1,5 mês em reuniões semanais do comitê voltado à transformação do modelo de segurança no varejo, criado pela Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas) e liderado pelo Grupo Carrefour. No início de dezembro, serão divulgados os primeiros materiais, fruto dos debates, cujo objetivo é servir de referência às cerca de 600 empresas do setor que fazem parte da entidade.

“A ideia não é ter um manual, mas ajudar o varejistaa embasar suas decisões. O conteúdo que vamos divulgar precisa ser adaptado à realidade de cada empresa e também à legislação e a entendimentos das autoridades judiciárias de cada cidade e Estado”, explica Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe. De acordo com ele, a entidade vinha focando sobretudo o fluxo dos produtos dentro da loja. Questões relacionadas à segurança, processo que acontece fora da área de vendas, ainda não contavam com um tratamento específico dentro da associação.

A indicação do Carrefour para liderar o comitê não foi por acaso. A empresa realizou uma série de mudanças no seu modelo de atuação em função da tragédia que envolveu a morte de João Alberto, em Porto Alegre. “O que aconteceu lá nos levou a várias reflexões e a mudanças nos pilares da nossa forma de conduzir a segurança patrimonial nas nossas lojas, com iniciativas concretas na operação”, afirma Elizeu Lucena, diretor de riscos e crises da companhia. Uma das medidas foi internalizar a equipe de mais de 1.000 agentes, antes terceirizada.

Além disso, a empresa vem intensificando o treinamento desses profissionais, e, sobretudo, humanizando a atuação nas lojas. Em vez, por exemplo, de encontrar seguranças de terno e gravata em seus super e hipermercados, os clientes se deparam com pessoas de colete com a frase “Posso ajudar”. Outra mudança é na conduta, hoje sem o viés da ostensividade. “Não queremos que as pessoas se sintam vigiadas enquanto estiverem nas lojas”, explica o diretor de riscos.