Revolução nas gôndolas: 2021 já apresenta diferentes desafios para o setor

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Por: Alessandra Morita: alessandra. morita@savarejo.com.br - Reportagem Patrícia Büll e Fernanda Vasconcelos -

Turbulência econômica, pandemia ainda fora de controle e fortes mudanças no comportamento do shopper exigem plena atenção do varejo alimentar

Foto: iStock

O ano de 2021 chega para o varejo com um enorme desafio: superar o ano passado em vendas e resultados. Considerando que as pessoas, de forma geral, continuarão a passar mais tempo em casa, parece um objetivo fácil. Mas não se engane.

Este ano será diferente de 2020, porque...

... matematicamente, a base de comparação de vendas e resultados aumentou de forma significativa, o que chegou inclusive a dificultar a definição do orçamento para este ano

... a pressão por custos tende a aumentar. Será um desafio grande equiparar os resultados aos de 2020. Um dos motivos é que muitos fornecedores ainda não repassaram a totalidade dos aumentos de insumos e embalagens à produção. Isso poderá impactar o preço de aquisição de mercadoria, o que pressiona as margens do varejo

... a própria dificuldade de entrega da indústria, em função da falta de matéria-prima, ou leva à ruptura (pela dificuldade de produção e entrega), o que significa vendas abaixo da demanda, ou pode encarecer o preço do produto aos supermercados e, por consequência, aos clientes, devido à menor oferta

O que esse cenário exige do varejo

Em primeiro lugar, é preciso evitar uma avaliação simplista da situação

Diferentemente de crises anteriores, que eram financeiras, a atual é sanitária e, apesar dos impactos na economia, mexe com saúde e bem-estar. É por esse motivo que a confiança passou a ser um dos critérios mais importantes na escolha dos shoppers. Em outras palavras, as pessoas estão buscando lojas seguras, que sigam os protocolos de higiene e prevenção da Covid-19, e também produtos e marcas que conhecem e com as quais se relacionam e, sobretudo, que estão fazendo seu papel de cuidar da sociedade e do meio ambiente.

Outro fator a ser considerado é que a pandemia impõe pressões diferentes que não foram vividas pelas pessoas em crises anteriores, como a emocional. E isso leva à busca por produtos que confiram pequenos prazeres no dia a dia, como os que têm apelo à indulgência.

322 bilhões de reais foram injetados na economia pelo auxílio emergencial de R$ 600 no ano passado

43,9% dos lares brasileiros foram beneficiados. No Norte, esse percentual saltou para 61% e, no Nordeste, para 59%

6,8% foi o impacto do benefício no consumo das famílias em 2020

25% a 30% é a margem média do varejo alimentar. Trata-se de uma das menores do comércio, perdendo apenas para o segmento de combustível, com 15% a 20%

Fonte: Ministério da Cidadania, IBGE, Pnad Covid, IPC, Varese Retail e MacroSector Consultores

Resultado

Tudo isso aliado à mudança nas referências de consumo, que hoje estão dentro de casa – como tratamos na matéria de capa de janeiro/2021 –, tem levado a novos padrões de compra de produtos e marcas. Embora isso não seja exatamente uma novidade, o varejo ainda não conseguiu promover as adaptações necessárias no sortimento de suas lojas e tampouco na exposição. O que é compreensível, uma vez que a operação das lojas exigiu muita atenção até agora. Mas, daqui para a frente, não vai dar mais para adiar uma análise minuciosa da jornada do cliente e uma revisão mais frequente do mix, da organização das gôndolas, e uma busca maior por soluções de compras que ajudem o consumidor quando está nas lojas. E aí há muito trabalho a fazer.

“Ao longo de 2020, os varejistas tiveram que priorizar as ações a serem tomadas à medida que as notícias sobre a pandemia iam acontecendo, e a revisão do planograma é um processo detalhado e estruturado que requer tempo de análise de dados. Temos certeza de que, para 2021, esse assunto já está na pauta das principais redes de varejo, pois é um movimento benéfico para toda a cadeia: da indústria ao consumidor final, passando pelo próprio varejista”

RICARDO SABATINE Diretor de off-premise do Grupo Heineken

“O ano passado foi desafiador. Tivemos que lidar com aberturas e fechamentos em horários diferentes ao longo do ano e restrições de circulação de pessoas, que mudaram muito. Também criamos um delivery a jato, que estava programado para um prazo mais longo. Acreditamos que 2021 será igual, pelo menos no começo, por isso as definições sobre operação serão tomadas mês a mês”

MAURÍCIO BENDIXEN Diretor de operações da rede Condor (PR), 55 lojas

Novos padrões, grandes mudanças

Uma análise mais detalhada das categorias das suas lojas deverá indicar uma série de mudanças em produtos, marcas e segmentos que, em muitos casos, podem ainda não se traduzir no sortimento e na exposição em gôndola. O trabalho exige tempo e dedicação – o que não é fácil considerando a dinâmica do negócio –, mas é fundamental para ajudar a ter resultados melhores do que os de 2020. 

Leia também outras 3 matérias sobre a revolução em curso nas gôndolas dos supermercados:

Sortimento de alimentos e bebidas deve considerar novo comportamento de compra

Shopper apresenta novos atributos na escolha de itens de beleza e higiene

Na gôndola de limpeza, cenário é de vendas em alta e mais inovações em produtos

 

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