Consumo de cerveja premium cresce no país

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Reportagem SA Varejo -

Expectativa da Euromonitor é de que faturamento do segmento suba mais de 53,9% até 2025

Foto: istock

A necessidade de ficar em casa em razão do isolamento social, por conta da pandemia do Covid-19, contribuiu para o aumento do consumo de cerveja e ampliou o processo de “premiunização” do setor. A expectativa da Euromonitor é de que o faturamento das cervejas consideradas premium cresça mais de 53,9% até 2025, alcançando R$ 80,2 bilhões. De 2015 a 2020, o faturamento do setor cresceu 85%, para R$ 52 bilhões. De olho neste aumento do consumo de cerveja premium, as principais empresas não param de lançar marcas para estimular o paladar da clientela.

“Foi o grande movimento das cervejas premium e o mercado se tornou menos industrial e mais artesanal. O fato de as pessoas estarem mais em casa e sem opções de lazer, além do dinheiro do auxílio emergencial que permitiu mais gastos com indulgências, ajudaram esse mercado”, diz Rodrigo Mattos, analista de bebidas e tabaco da Euromonitor International. 

Um dos motivos dessa aceleração foi a estratégia de crescimento agressiva da  Heineken, especialmente com a sua principal marca. A bebida mais amarga caiu no gosto dos brasileiros, que começaram a procurar cervejas mais refinadas.

Nos últimos anos, a empresa trouxe diversas marcas para o Brasil, como as americanas Blue Moon e Lagunitas, além de expandir a distribuição das marcas brasileiras Baden Baden e Eisenbahn, que passaram a fazer parte do portfólio do grupo holandês após a aquisição da rival Brasil Kirin, em 2017. 

A aposta mais recente da Heineken é a Tiger, marca de Cingapura que é um de seus cinco maiores produtos globais. A ideia da companhia é abocanhar uma fatia dos consumidores mais jovens que começaram a ter contato com as cervejas. “Existia sempre a dúvida que o paladar do brasileiro não era de cerveja amarga e provamos o contrário. Hoje, temos 46% do segmento premium e somos líderes no País”, diz Mauro Homem, diretor corporativo da Heineken no País.

Assim como a Heineken, a Ambev tem aumentado o número de lançamentos e criação de novos produtos.  A cervejaria controlada pelo fundo 3G Capital, do bilionário Jorge Paulo Lemann, continua tendo uma fatia acima de 60% do mercado total. 

Nos últimos anos, a companhia aumentou a distribuição de marcas consagradas no exterior, como a mexicana Corona, as alemãs Becks e Spaten e a americana Goose Island. Neste ano, está apostando na cerveja de baixa caloria Michelob Ultra. A ideia, segundo Felipe Cerchiari, diretor de inovação da Ambev, é ter bebidas diferentes para ocasiões diferentes. “Fizemos estudos que mostram que quanto mais o PIB per capita cresce, maior também o número de ocasiões em que as pessoas bebem, e queremos dar opções diferentes para as pessoas”, afirma Cerchiari.

A Ambev também tem apostado no segmento entre o popular e o premium. Um exemplo é a Brahma Duplo Malte, que segundo o executivo, foi o maior lançamento da história da AB Inbev, pois já foram produzidos mais de 4 milhões de hectolitros. Hoje, 20% do faturamento da Ambev vem de produtos lançados nos últimos três anos. Antigamente, não passava de 8%. 

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Fonte: O Estado de S.Paulo

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