Caso Carrefour: a crise não é de uma única empresa

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Alessandra Morita, head de conteúdo da SA Varejo -

A partir de agora, consumidores e sociedade estarão mais atentos a ações das companhias, que serão mais cobradas por atitudes que verdadeiramente respeitem cor, orientação sexual, crenças religiosas

Foto: iStock

Na noite anterior ao feriado dedicado à Consciência Negra, comemorado em 20/11, João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por dois seguranças terceirizados em uma loja do Carrefour na cidade de Porto Alegre. Amplamente coberto pela mídia, o caso, que está sendo apurado e investigado, ganhou proporções gigantescas – e deve continuar ganhando em função da sua brutalidade. Desde então os desdobramentos, também conhecidos por todos, passam por protestos, depredação de lojas e até um movimento nas redes sociais pedindo o boicote ao Carrefour.

A empresa está hoje no centro dos acontecimentos e sob os holofotes de todo o País. Mas não encare isso como um fato que atinge uma única empresa do setor. Todas as companhias, a partir de agora, terão suas ações, ainda que tidas como as mais corriqueiras, acompanhadas com maior atenção por consumidores, pela sociedade e pela mídia. Serão mais questionadas e, principalmente, mais cobradas por atitudes que verdadeiramente respeitem cor, orientação sexual, crenças religiosas, etc.

Pesquisa da Mosaiclab, braço da GS&MD, com mais de 5.023 consumidores de 17 países, incluindo o Brasil, constatou que 88% acreditam que os preconceitos sociais aumentarão nos próximos cinco a 10 anos. Racismo é o problema que mais preocupa, com 35% das citações no levantamento. Outro estudo, do Instituto Paraná Pesquisas, publicado por Veja em agosto deste ano, apontou que 61% afirmam que o Brasil é um país racista, enquanto 34% dizem que não.

Segundo consultores, é importante que as redes varejistas adotem medidas preventivas. E isso vai desde rever políticas internas de inclusão até a integração de funcionários terceirizados na cultura e propósito da rede, entre outras inúmeras mudanças necessárias. Afinal, os impactos de se fechar os olhos ao problema são grandes. Os colaboradores são os primeiros a serem afetados: perdem a motivação, a crença e o orgulho na empresa em que trabalham. E junto com isso vai uma lista grande de prejuízos tangíveis e intangíveis que o próprio caso Carrefour está mostrando na prática.

Comunicado do Carrefour

Confira a íntegra do posicionamento da empresa, divulgado na sexta-feira (20/11):

“Após a lamentável e brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia, o Carrefour informa que:

- Definiu que todo o resultado de lojas Carrefour no Brasil nesta sexta-feira, 20 de novembro, será revertido para projetos de combate ao racismo no país. O valor será destinado de acordo com orientação de entidades reconhecidas na área. Essa quantia, obviamente, não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita;

- Amanhã, 21/11, todas as lojas do Grupo em todo o Brasil abrirão duas horas mais tarde para que neste tempo possamos reforçar o cumprimento das normas de atuação exigidas pela empresa a seus funcionários e empresas terceirizadas de segurança;

- Estamos buscando contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário neste momento difícil;

- A loja do bairro Passo D’Areia será mantida fechada;

Todas essas ações complementam as decisões já anunciadas de rompimento de contrato com a empresa que responde pelos seguranças envolvidos no caso e de desligamento do funcionário que estava no comando da loja no momento do ocorrido.

Reiteramos que, para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que ocorreu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”

CEO global e Abílio Diniz se pronunciam

Ainda na sexta-feira, Alexandre Bompard, CEO Global do Carrefour, fez um pronunciamento pelo Twitter sobre a morte de João Alberto Silveira Freitas. Segundo ele, as medidas até então divulgadas pela subsidiária brasileira eram insuficientes. Ele afirma que seus valores e os do Carrefour não “compactuam com racismo e violência”. Também afirmou que as imagens do espancamento, viralizadas pelas redes sociais, eram insuportáveis. O CEO disse que pediu revisão do treinamento de funcionários terceirizados, além de respeito à diversidade e repúdio à intelorância.

No mesmo dia à noite, o empresário Abilio Diniz, acionista da companhia, também se manifestou pelo Twitter. Ele classificou o ocorrido como algo terrível e que o deixou profundamente triste e indignado. “Sua morte é uma tragédia e uma enorme brutalidade”, postou. "Dezenas de milhões de brasileiros enfrentam diariamente agressões e enormes dificuldades por conta do racismo, e nosso País não vai avançar de verdade sem que isso seja endereçado de forma efetiva", escreveu.

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