Atacarejos ocupam territórios

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Reportagem SA Varejo -

Estratégia, no entanto, considera diferentes modelos dentro do formato. Conheça exemplos de duas redes no Sul do país

No Região Sul do Brasil, o formato atacarejo predomina nos investimentos das redes. Elas, porém, entendem a importância de manter diversos modelos em suas estratégias. Conheça dois exemplos: o gaúcho Imec e o catarinense Koch.

Foto: Divulgação

LOJA DO FORMATO DO CATARINENSE KOCH
Modelo está no foco da expansão da empresa, que fatura anualmente mais de R$ 3,3 bilhões

Parece que não há limite para os atacarejos, que crescem dois dígitos por ano há cerca de uma década. No Sul não é diferente. O formato explica o crescimento excepcional de algumas redes no ano passado e está à frente de muitos investimentos de expansão. Ao gerar mais desemprego e aprofundar a queda na renda, a pandemia só elevou a convicção de que o cash & carry é e será por muitos anos um modelo vitorioso. Quem tem bala na agulha ocupa rapidamente as cidades e finca suas bandeiras.

No topo das prioridades

Desde 2019, quando a rede gaúcha Imec traçou o plano estratégico para o período de 2020 a 2024, muitas mudanças ocorreram no mercado, mas não no seu planejamento. Os atacarejos entraram no topo das prioridades e lá permanecerão. Com a bandeira Desco, o sortimento no modelo é puxado por quatro alavancas, segundo Leonardo Taufer, presidente da varejista: qualidade, simplicidade, economia e praticidade. “Se falta um desses atributos, o produto não entra no mix. Se reúne os quatro, sua presença é praticamente garantida”, esclarece.

Os atacarejos contam com padaria, açougue, hortifrútis e frios, mas cada seção tem um mix limitado e atendimento de autosserviço. As lojas não têm balcão de atendimento nem produtos manipulados. “O custo da operação tem de ser baixo para o preço final ser barato e o negócio se sustentar”, pontua Taufer.

“O cash & carry hoje é frequentado por todas as classes sociais, além da pessoa jurídica, e isso já se consolidou. Todo mundo gosta de economizar”

Leonardo Taufer
Presidente da Imec (RS)


Foto: Divulgação

ONZE ANOS NO ATACAREJO
O Imec entrou no formato em 2010, com um mix que foca 4 atributos: simplicidade, qualidade, economia e praticidade

Além da estratégia envolvendo formatos, o Imec reforçou a premissa de manter uma boa margem Ebitda. Por isso, persegue produtividade em todas as suas operações. “Diante das margens estreitas, é muito importante reduzir custos, racionalizar despesas e combater perdas e quebras. E é o que estamos sempre perseguindo”, afirma o presidente, Leonardo Taufer

Investimento consistente para o crescimento do formato

2010 1 loja
2012 a 2018 + 3 supermercados convertidos em atacarejo
2019 + 2 lojas
2020 duplicação da capacidade logística com investimento no centro de distribuição
2021 + 4 lojas (duas já inauguradas), incluindo a primeira de Porto Alegre
2022 a 2024 2 a 4 lojas por ano (previsão)

20% a 30% Previsão de crescimento em vendas (2021 x 2020)

A pandemia acelerou os investimentos do Imec no e-commerce. O atendimento foi criado no ano passado e, em 2021, já está presente em quatro dos 16 municípios atendidos pela empresa. A varejista está fazendo estudos para ter um plano sólido envolvendo o canal daqui para a frente

Revisão dos supermercados

O planejamento de 2019 do Imec também previu estudo para reposicionar os 17 supermercados. “O modelo tem tido crescimento, porém apenas acima da inflação do varejo alimentar medido pelas associações do setor”, diz Leonardo Taufer, presidente da empresa. Segundo ele, é preciso reestruturar o formato para ele continuar sendo importante na jornada de compras do cliente e rentável para o negócio. O reposicionamento envolve sortimento e layout. Taufer exemplifica: o consumidor compra com maior frequência hortifrútis e quer rapidez no acesso aos produtos, sem demora na escolha, seleção e ensacamento. O layout, portanto, tem de ser reorganizado. É preciso oferecer maior espaço de navegação, além de abrir balcões para novos itens hoje demandados, como embalagens monoporção. Outro exemplo é a menor amplitude do mix. A diversificação de canais de compras pelo shopper conduz à necessidade de maior otimização. “Além de facilitar a identificação e escolha de produtos, um sortimento cirúrgico traz melhores resultados”, afirma. “Quanto mais preciso, maiores as vendas.”

Foto: Divulgação

CRESCIMENTO 2,7 VEZES MAIOR
É quanto o Koch avançou em relação a outras 122 varejistas do Sul neste 1º semestre de 2021

ESTRATÉGIA DUPLA

Presente em 23 municípios catarinenses, a rede Koch tem sustentado um baita crescimento na dobradinha atacarejos-perecíveis frescos.

Ex-produtores rurais e ex-feirantes, foi com os hortifrútis que os Koch ingressaram no varejo até transformarem sua empresa em uma das mais importantes do Sul do País, com 29 lojas. No ano passado, o crescimento da companhia superou 2,7 vezes a média da região, de 19,7%, considerando análise das 122 maiores empresas dos três Estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O hortifrútis é um dos pilares da companhia, com 39% de participação nas vendas. Ao seu lado, entram os atacarejos, alvo do maior volume de investimentos do Koch. Do ano passado para cá, já foram erguidas oito unidades de cash & carry e mais quatro estão a caminho. No mesmo período, a rede inaugurou três supermercados.

Os atacarejos, com área média de 4.000 m2, oferecem as mesmas categorias encontradas nos supermercados, expondo de 8.000 a 10.000 itens. “Como em Santa Catarina o público do formato é basicamente o consumidor final, temos padaria e açougue, além de um bom hortifrútis”, comenta Tiago da Silva, diretor comercial da rede. O Koch aposta no formato para fortalecer o negócio.

40% Crescimento do Koch no 1º sem. de 2021 sobre igual período do ano passado

Outra vantagem competitiva do Koch é a relação sólida com os fornecedores. “Criamos planos de negócios conjuntos, os JBPs, com a maioria das indústrias”, diz Tiago da Silva, diretor comercial. Segundo ele, os JBPs são vantajosos para os dois lados e tornam as vendas bem mais produtivas

Supermercados têm seu papel

O aumento da receita do Koch também é gerado pelos supermercados, que respondem por 50% das vendas de hortifrútis e têm clientela fiel, segundo Tiago da Silva, diretor comercial da empresa. Ainda que em menor número do que os atacarejos, os super ganharam novas lojas e investimentos em reformas. “Não descuidamos desse formato”, garante Silva. “Estamos sempre modernizando, atendendo outros mercados e ajustando o mix para cobrir novas necessidades de consumo”, diz o diretor. “Sortimento é um organismo vivo e como tal deve ser tratado”, esclarece.

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