Natal: as Festas serão do varejo alimentar

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Alessandra Morita - alessandra.morita@savarejo.com.br -

Na opinião de 83,2% dos 110 supermercadistas ouvidos por SA Varejo, o faturamento no Natal e Ano-Novo será maior ou igual ao do ano passado

Há todo um cenário macroeconômico, de mudança do consumidor e até de acontecimentos históricos, que favorecem as vendas de Natal e do Ano-Novo nos super, hipermercados e atacarejos. Mas é preciso planejar certo para não repetir a Páscoa, quando o aumento da demanda pegou o varejista de surpresa.

O pano de fundo da pandemia fará com que este fim de ano seja inédito para os super, hipermercados e atacarejos. O cenário que se desenha é complexo e exige análise, planejamento e execução acurados por parte do varejista. Mas, de maneira geral, as vendas do setor deverão ser favorecidas. É o que aponta uma sondagem realizada por SA Varejo com cerca de 110 varejistas das maiores redes do País. Nada menos do que 83,2% acreditam que o faturamento no Natal e Ano-Novo será maior ou igual ao do ano passado. Entre os 59,8% que apontaram alta nas vendas, a média esperada é de 11,7% sobre o mesmo período de 2019.

A paranaense Condor é uma das redes que esperam crescimento nas vendas. A expectativa é de um aumento de 15% no período, segundo Pedro Joanir Zonta, presidente da empresa, que participou da 18ª edição do Webinar Series , realizado por SA Varejo em 4 de setembro.

Já a fabricante Vale Fértil espera um aumento de 30% no período. Entre as novidades, estão a linha de azeites de oliva 100% própria, que terá campanha de divulgação, os snacks e as azeitonas temperadas pretas e verdes mistas embaladas a vácuo, além da bandeja promocional com sachês de três unidades de 60 g.

Outro dado da sondagem de SA Varejo é que, para 84,4% dos varejistas otimistas com as vendas nas Festas, a Covid-19 contribuirá para o avanço. Isso porque a pandemia acelerou hábitos e fez com que o consumidor reaprendesse sua vida dentro de casa. Mas esse é apenas um lado dos acontecimentos. Para entender o que vem por aí, há muito mais a ser observado, e é isso o que mostramos a você a seguir. Acompanhe.

CENARIO DO FIM DE ANO

“As pessoas vão celebrar a vida neste natal. a crise atual tem provocado restrições e, por isso, levado a um resgate do vínculo familiar. e aqui entenda-se que o conceito de família inclui também amigos mais próximos e queridos. é com essas pessoas, que ajudaram nos momentos de dificuldade e perda, que os consumidores vão querer estar”

SIDNEY MANZARO
VP de mercado Brasil da BRF

Em sua participação no 18º Webinar de SA Varejo, Sidney Manzaro, VP de mercado Brasil da BRF , fez um resumo dos fatores que devem influenciar o consumo neste fim de ano. Segundo o executivo:

  • Existem aspectos que estão claros e outros que ainda geram dúvidas. Por exemplo: a produção da indústria, em geral, já está definida. No caso dos produtos específicos da data comercializados pela BRF, a estratégia é desenhada logo no início do ano
  • No âmbito macroeconômico, o PIB (Produto Interno Bruto) vai cair e afetar renda e emprego. A ajuda de R$ 600 reais do governo, que tem contribuído para aliviar as dificuldades do momento, tende a diminuir
  • Em contrapartida, muitas viagens que seriam realizadas no período, sobretudo para o exterior, não deverão acontecer. “Isso pode estimular o gasto no mercado interno, compensando em parte a queda na renda”, avalia Manzaro. “A despesa com uma ceia melhor, que tenha 3 ou 4 tipos diferentes de proteínas, é relativamente bem inferior ao valor que as pessoas gastam ao viajar”, acrescenta o VP de mercado interno da BRF
  • O consumo de alimentos nas Festas também tende a ser maior, uma vez que a data emendará com o fim de semana. Aliado ao fato de as pessoas estarem em casa e de que não estarão realizando home office em função do feriado prolongado, os consumidores irão fazer mais refeições no período
  • Outro fator que pode ajudar na confiança do consumidor é o anúncio de uma vacina. As indústrias, como a BRF, ainda não consideram essa uma possibilidade concreta para o fim do ano, mas a proximidade do anúncio pode renovar as esperanças. “Temos buscado a ajuda de antropólogos e sociólogos para entender o impacto da doença na vida das pessoas. Um dos fatos históricos é que, após a Gripe Espanhola, houve uma euforia de consumo grande”, explica Manzaro. A pandemia citada pelo executivo aconteceu em torno dos anos 1918 e 1920 e infectou cerca de ¼ da população mundial da época

PLANEJAMENTO E MAIOR DESAFIO

Entender a demanda será um dos maiores desafios do período. Há uma preocupação adicional com a previsão de vendas para evitar ser pego desprevenido, como aconteceu na Páscoa, quando o cenário inicial da pandemia dificultou uma estimativa. Além disso, os consumidores se anteciparam, fazendo com que os ovos de chocolate acabassem na semana anterior à data. “Com isso, muitos varejistas ficaram sem ter o produto”, lembra Zonta, do Condor. A ideia é evitar que isso se repita com itens como as carnes especiais (veja matéria sobre a categoria nesta edição). “Se, por exemplo, elas acabarem no dia 20, também não vai ter onde comprar”, explica. Zonta acredita que o bom relacionamento e o trabalho conjunto com os fornecedores são necessários para o varejo se planejar da maneira mais adequada possível à demanda no período.

ITENS DE MAIOR VALOR AGREGADO
Superintendente comercial e de marketing do Verdemar (MG), Antonio Celso Azevedo, que também participou do 18º Webinar de SA Varejo, acredita que os consumidores buscarão produtos de melhor qualidade para comemorações que tendem a ser mais intimistas. E isso passa, por exemplo, por cervejas de maior valor e vinhos importados. “Trazemos mercadorias de 23 países e, em março, já negociamos os produtos de fora para o Natal. Não temos tido problemas de recebimento”, diz Azevedo. Segundo ele, o relacionamento com a indústria tem sido muito bom. “Tenho procurado muitas delas para entender como está sendo o comportamento de consumo em outros países a fim de nos anteciparmos”, conta.

COLABORAÇÃO NUNCA FOI TAO ESSENCIAL

Quem concorda sobre a importância do bom planejamento e da colaboração é Caio Lira, VP de canal off trade da Ambev . “De outubro em diante é o período que consideramos de sazonalidade. Mas, neste ano, experimentamos em junho e julho taxas de vendas no varejo iguais às do fim do ano e maiores do que as da última Copa do Mundo e também do que as do Brasil, em 2014”, conta. Segundo o executivo, os insumos são a maior preocupação neste momento, especialmente no caso das latas, pois existem poucos produtores de alumínio globais. Para reduzir o problema, a Ambev inaugurou recentemente uma unidade totalmente dedicada à produção de latas – a primeira do Brasil, de acordo com Lira. “Evidentemente ainda demora um pouco para a fábrica atingir sua capacidade, o que deve acontecer provavelmente em janeiro do ano que vem”, esclarece. Além disso, a fabricante de cervejas está ampliando cinco novas linhas de produção.

O VP de canal off trade conta ainda que, neste ano, a Ambev antecipou para setembro o início do JBP (Joint Business Plan) com os clientes. “A ideia é discutir 2021 colocando na mesa o que estamos aprendendo com a abordagem da Covid-19. Mesmo com a crise, vemos uma luz positiva no fim do túnel e queremos levar insights importantes para o varejo. Hoje, nosso time cobre o Brasil todo a partir de sete regionais ligadas à minha estrutura. Nosso objetivo é ajudar o varejista a agregar valor e a elevar faturamento”, ressalta Lira.

 

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