Sortimento é caminho para recuperar margens

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Por Por Alessandra Morita, de Fort Collins (EUA)* -

A afirmação é de Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, durante entrevista para SA Varejo em Fort Collins, no estado americano do Colorado. Executivo também detalhou investimentos em inovação

O papel do sortimento na recuperação das margens pelo varejo e pela indústria, os investimentos da empresa em inovação e as frentes de desenvolvimento de produtos foram temas abordados por Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS , em entrevista a SA Varejo e outros veículos de imprensa. A conversa aconteceu no mês passado, na cidade de Fort Collins, estado do Colorado, cerca de 50 km distante de Greeley, onde fica a sede da empresa nos Estados Unidos. Ela antecedeu a inauguração oficial, em 09 de abril último, do Centro Global de Inovação de Alimentos da companhia, em parceria com a Universidade do Estado do Colorado. Aos 60 anos, Tomazoni, que entrou na empresa em 2013, acredita que a iniciativa – ao lado de outros investimentos nessa área – pode levar a companhia a um novo patamar de qualidade de produtos. O recém-inaugurado centro de inovação recebeu investimento de US$ 12,5 milhões da JBS . Nele, devem ser realizadas pesquisas nas áreas de segurança alimentar, ciência da carne, bem-estar e manejo de animais, entre outras. O projeto também contempla um programa de desenvolvimento de funcionários. Além dele, a companhia conta com uma diretoria global voltada especificamente para a inovação de produtos. Confira a seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo CEO Global da empresa.

A JBS aposta no seu Centro Global de Inovação de Alimentos em parceria com a Universidade do Estado do Colorado. Como a empresa está lidando com a questão da inovação?

Temos três frentes de inovação, que poderão nos levar a outro patamar de qualidade de produtos e que nos permitirão contribuir para a sociedade na forma como ela gerencia a questão da alimentação. Uma delas diz respeito ao investimento que estamos fazendo aqui no Colorado. Ele tem a ver com ciência e com o desenvolvimento do setor como um todo, incentivando pesquisas voltadas para sustentabilidade, bem-estar animal, tecnologia de processamento, entre outros. É uma iniciativa que irá ajudar a companhia, mas também o consumidor e toda a cadeia envolvida em nosso negócio. Outro aspecto da inovação é a tecnológica.
Investimos em 2015 na aquisição da Scott Technology(1), empresa neozelandesa de automação e robótica, que conta com mais de 100 engenheiros trabalhando com foco na inovação. Já a terceira iniciativa foi a criação, no ano passado, de uma diretoria global voltada exclusivamente ao desenvolvimento de produtos.

Como funciona especificamente essa área dentro da companhia?

Criamos um time virtual, em cada região onde atuamos, formado por pessoas de marketing, de desenvolvimento de produtos, de consumer insights. A ideia é, por exemplo, identificar tendências e adaptá-las aos mercados locais, ajustando embalagem e sabor, desde que façam sentido naquela região. Dessa forma, vamos acelerar o processo de inovação na companhia.

Nos estudos dessa área, a empresa tem contemplado produtos de maior valor agregado?

Existem dois aspectos quando se fala em maior valor agregado. Um é o produto que recebe um processamento térmico, como um cozido ou maturado, cujo apelo é a conveniência. É isso que estamos buscando trabalhar aqui nos EUA, no Brasil, na Austrália, na Inglaterra, no México. Procuramos desenvolver produtos que as pessoas possam levar direto ao forno ou ao fogão, sem necessidade de algum tipo de processamento, ou que possam ser servidos direto à mesa. Existem consumidores que não sabem marinar uma carne e querem uma opção que ofereça maior praticidade. Outro tipo de produto de maior valor agregado é o in natura, por exemplo, orgânico ou sem antibiótico, que também são tendência de consumo.

Qual o papel do sortimento na melhora da rentabilidade?

O sortimento é o caminho para recuperar margens, seja para a indústria, seja para o varejo. Mas esse processo de retomada só se iniciou agora e vem acontecendo lentamente.

Quais são os desafios de trabalhar portfólio no varejo?

É uma estratégia conjunta. Do lado do varejo, a questão é entender qual será a margem por metro quadrado gerada por aquele sortimento. Toda vez que vai colocar um produto na loja, o varejista precisa entender quanto vai ser a massa de margem, que é o resultado do giro multiplicado pela margem de lucro. E isso é algo difícil de saber principalmente quando estamos falando de um produto novo. Por isso, é importante que a indústria ajude investindo para construir a demanda. É o caso dos cortes suínos in natura. No Brasil, o consumo per capita ainda é baixo, pois, diferentemente da carne bovina, que basta jogar sal e colocar na churrasqueira, a suína não tem essa facilidade. Mas as indústrias, como nós, criaram opções resfriadas e mais práticas para o preparo, o que tem incentivado o consumo e, consequentemente, o varejista a trabalhar com esse produto. Visto por esse ângulo, é possível entender por que, muitas vezes, ocorre uma resistência inicial a algumas novidades.

Como vocês trabalham para ajudar o varejo a entender quanto pode ganhar com um novo produto?

É importante ressaltar, primeiramente, que há diversas empresas varejistas já bastante evoluídas no trabalho com o sortimento, independentemente do porte. Elas entendem que dele vem a rentabilidade. Mas, de forma geral, uma maneira de ajudar a mensurar as vantagens de determinado portfólio, e também das inovações, está na experiência com as nossas lojas próprias. Nelas, podemos testar e aprender, além de medir os resultados. Inicialmente, elas foram criadas para desenvolver o conceito de carne congelada e gerar conhecimento. Hoje temos condições de trabalhar, por meio da marca Swift, com o conceito de loja dentro da loja, que já está presente em cerca de 30 unidades de clientes nossos no Brasil.

O programa Açougue Nota 10 ajuda o varejista a trabalhar melhor o mix?

Esse projeto envolve a gestão de toda a categoria, assim como o treinamento dos colaboradores do varejo. Ou seja, é um programa completo, o que, de certa forma, ajuda a tornarmos as inovações conhecidas pelo cliente. Além disso, gerenciamos o sortimento da categoria como um todo, o que também traz resultado. Trata-se de um projeto bem-sucedido, que tem em torno de 900 lojas operando com o modelo e que traz qualidade, aumenta a rentabilidade e melhora a imagem do varejo.

 

(1) A aquisição de 50,45% da empresa foi feita por meio da JBS Austrália

A jornalista viajou aos EUA a convite da JBS

 

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